Thursday, September 4, 2008

Loulé

O minério ocorre num diapiro, com estrutura em domo com dimensões que rondam os 800m. O diapiro encontra-se encaixado em rochas do tipo calcários, margas e dolomitos do Jurássico Médio a Superior. À superfície encontramos as Areias de Faro-Quarteira do Plistocénico. O material provavelmente não atingiu a superfície uma vez que encontramos o seu capeamento preservado, de composição essencialmente gipsífera. O capeamento existente não possibilita a passagem de água dos aquíferos para a massa de sal, evitando assim a sua dissolução.

Gesso (100x80mm)

O autor Jeremic (1994) propõe uma teoria - “bar-basin” para o tipo de ambiente deposicional. Segundo ele, existiria uma bacia marginal constituida por um braço de mar isolado do oceano por uma barreira que, periodicamente, possibilitaria o afluxo de água marinha. Estas condições, associadas ao alto índice de evaporação, iriam possibilitar a concentração de soluções ricas em sal. À medida que o processo de evaporação continua começaria a precipitação de halite e gesso. Continuando a aumentar a concentração de sais, dá-se a deposição de anidrite e gesso. À medida que se dá o assoreamento da bacia, esta poderia ficar isolada do oceano possibilitando a deposição de sais muito solúveis de K e Mg, silvite e carnalite, respectivamente.

Halite e Carnalite (170x100mm; 40x60mm)
Posteriormente, houve a contribuição de material continental e simultaneamente, ocorreu actividade vulcânica conferindo assim um carácter vulcano-sedimentar ao conjunto. Uma vez que o processo distensivo continua, ocorre subsidência progressiva da bacia, havendo reactivação do processo atrás descrito, explicando-se assim o bandado composicional sedimentar observado na mina: Uma de cor rosada (93 % NaCl), devido às impurezas disseminadas onde se pode observar o bandado composicional sedimentar (“bedding”),

Halite (180x100mm)

e outra de cor branca, (99,99 % NaCl) resultante de neoformação.

Halite (50x60mm)

Monday, November 26, 2007

Willemite

(30x25mm)
A Willemite Zn2(SiO4) em honra a um rei holandês Willem, é um neso-silicato de zinco que ocorre por todo o mundo em várias cores e diferentes tipos de cristalização.
Os espécimes da Mina da Preguiça, que aqui mostro, são dos mais conhecidos entre nós devido á sua beleza como microminerais.
(20x15mm) (40x35mm)
Cristaliza no sistema trigonal, formando agregados aciculares onde por vezes se conseguem individualizar alguns prismas.

(35x35mm)

Apesar de não dispor de equipamento que permita fotos de grande qualidade, deixo-vos aqui algumas das fotos mais bonitas que tenho.

(25x15mm)

(10x10mm) (25x25mm)

Wednesday, November 14, 2007

Compras!

Cada vez existem mais produtos disponíveis para compra na internet. A mineralogia, não é excepção. Já são muitos os locais onde se podem comprar, vender e trocar minerais. Por vezes temos boas oportunidades para adquirir aquelas peças que de outro modo muito dificilmente chegariam até nós. No entanto, é como em tudo existem uns locais melhores que outros. Aqui fica um site com todas as actualizações de vendedores http://www.the-vug.com/
Convém ter alguns cuidados dos quais saliento os mais importantes.
As falsificações são frequentes. Este site irá ajudar a tirar dúvidas http://www.fakeminerals.com/~
O local de origem também é muito importante. Muitas vezes não é especificado pelo vendedor, ou então não esclarece a localização exacta, optando por indicar apenas o país ou no máximo a província.
As dimensões dos minerais fotografados nem sempre são o que parecem.

Sem escala

Com escala

O acondicionamento das amostras compradas deve ser acautelado. Se poder evite a compra de amostras muito frágeis.

Por fim deve-se ter em atenção os meios de pagamento que o vendedor disponibiliza.

Boas compras!

Tuesday, August 14, 2007

Paris

No passado mês de Julho fui visitar a cidade de Paris com alguns amigos. De entre muitos museus, jardins e monumentos para visitar, a exposição de mineralogia do Museu de História Natural foi uma das pré estabelecidas ainda antes da definição dos pormenores da viagem.
Foi sem dúvida uma experiência muito interessante e enriquecedora, pois muitos dos exemplares expostos eram fantásticos, e para mim O exemplar de algumas espécies, como esta Mesolite de 10cm de diâmetro da Índia. (pena a foto)
A exposição estava distribuída por dois pisos. O primeiro, com amostras XXL essencialmente de quartzos e uma vitrina com amostras fluorescentes tais como algumas manganocalcites, fluorites e autunites.
No segundo piso encontravam-se os restantes exemplares distribuídos por grupos de minerais.
Outro dos exemplares únicos é esta pseudomorfose de conchas de belemonites em opala, aí com uns 12cm cada. Lindo!

Deixo-vos mais algumas fotos da colecção, pedindo desculpa pela qualidade das fotos. O vidro de protecção das vitrinas, muitas vezes com 1cm de espessura, foi o entrave a uma melhor focagem.

No entanto, não poderia deixar de partilhar convosco algumas das fotos, que até se aproveitam!

Azurite em malaquite, Marrocos, 15cm. Água marinha, 4cm de diâmetro. Rodocrosite, Peru, 12cm.Ouro nativo, África do Sul, 6cm.

Grupo de Zeólitos da Índia

Grupo de turmalinas

Grupo de topázios

Quando forem a Paris, vale a pena uma visita a este Museu!

Wednesday, June 27, 2007

Caveira

Pouca gente deve ter ouvido falar na Mina da Caveira, mas Canal Caveira de certeza que vos faz lembrar de alguma ou algumas paragens que lá fizeram durante uma viagem.

Esta é a mina mais a NW da Faixa Piritosa Ibérica, parte integrante da Zona Sul Portuguesa, mundialmente conhecida pela sua riqueza em sulfuretos maciços vulcanogénicos. As substâncias ou elementos mais importantes são Chumbo (Pb), Pirite (FeS2), Zinco (Zn), Cobre (Cu). O génese do jazigo está ligado ao vulcanismo estratiforme, As massas de pirite maciça com calcopirite, blenda e galena ocorrem interestratificadas nos tufos e xistos do Complexo Vulcano Sedimentar com possanças que variam entre 10,0 a 60,0m. A mina da Caveira começou a ser explorada de forma definitiva em 1863 por conta do concessionário Deligny, mas os trabalhos de pesquisa e preparação do jazigo já se tinham iniciado quase uma década antes, em 1855.

Actualmente, após longos anos de abandono, encontra-se em fase de recuperação ambiental. Acredito que os minerais coleccionáveis eram bastante variados, mas actualmente apenas se encontram nas escombreiras o que alguns chamam goethites irisadas e outros chamam turgites, que não são mais do que a mistura de goethite com hematite após processo de alteração com absorção de água.

Uma das amostras da minha colecção (100x70mm)